15 de janeiro de 2008

O GATO...

A CONSCIÊNCIA, O AUTÓMATO E O GATO...


(...) "O ser humano ainda não iluminado pela sua consciência espiritual quanto aos valores reais ou relativos, deixa o seu mental apoiar os desejos instintivos do seu ser inferior, cujas exigências anárquicas criam tumultos de aceleração de impaciência, e de caprichos incoerentes. Sofrendo dessas influências, o Autómato humano assemelha-se a certo tipos de animais. O cão treme de impaciência diante do osso avidamente desejado. A inconstância do macaco é típica pela sua dispersão de ideias. A agitação da mosca lança-a para a armadilha da aranha. A pressa é a preocupação da abelha pelo dever social; é também a inquietação da formiga que tem sempre qualquer coisa que fazer, mas que se precipita em voltas supérfluas, sabendo a direcção, mas não a maneira de contornar os obstáculos.


Ao contrário de outros animais que nos dão uma lição de
mestria, sendo
exemplo disso o gato cuja sabedoria é um modelo porque
junta a maior paixão à
mais indiferente calma. Na sua imobilidade reflecte
o seu salto, sempre exacto;
a força dos seus rins é proporcional ao relaxe do seu sono: há
no seu sono, o
abandono da criança recém-nascida, enquanto que o seu
instinto está sempre de
vigília; a sua leveza sem resistência torna a sua queda sem
perigo; Caça e luta
são para ele alegria do jogo: ele caça sem ódio e joga sem
finalidade;
constantemente pronto ao ataque sem animosidade, e pronto a
defender-se sem
apreensão: vencedor indiferente, ele nunca é vencido.

A serenidade é o fruto da independência. Cria em ti esta independência, que não é indiferença, mas neutralidade face às impressões recebidas do exterior: bonito e feio, bom e mau, alegre ou triste, agradável ou penível... Um a coisa é discernir as qualidades, outra é deixá-las afectar a nossa disposição." (...) A paz sobre esta Terra não pode ser a supressão das forças opostas, mas a sua conciliação no interesse de um fim comum: a vida indestrutível" .

In « L’OUVERTURE DU CHEMIN » de ISHA s. DE LUBCZ

Um comentário:

  1. Luis Alberto Pimenta15 de janeiro de 2008 16:22

    Tenho aprendido muito com meus gatos, percebi, por exemplo, que por mais confiança que ele tenha em você, se fores brusco em teus gestos ele fugirá asustado, mas se quizeres gozar de bons momnentos de carinho com eles terás que chegar de mansinho, gestos tranquilos e suaves, e assim tenho tido com eles verdadeiros exercícios de calma e concentração na ação, o que não deixa de ser uma Meditação na Ação, bem típico de um Mestre de Zen Budismo que gosto muito Thich Nhãt Hanh, em magistral livro PARA VIVER EM PAZ - O MILAGRE DA MENTE ALERTA (Editora Vozes).
    Adorei o texto !!!

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